O que a Pantone, a Revestir e a DW revelam sobre o nosso tempo
- Anelise Campoi

- há 12 minutos
- 3 min de leitura
Durante a Expo Revestir 2026, maior feira de revestimentos e acabamentos da América Latina, e a DW! Semana de Design de São Paulo, uma ideia apareceu repetidamente em diferentes escalas do design:
a busca por silêncio visual e por ambientes que tragam equilíbrio em um mundo saturado de estímulos.
Essa reflexão ganhou forma de maneira simbólica em uma palestra que assisti durante a semana, promovida pela Ornare em parceria com o projeto Códigos do Futuro, que discutiu “A cor do nosso tempo”.
A cor do nosso tempo

No painel participaram:
• Beta Germano — Editora-chefe da Harper’s Bazaar
• Blanca Liahhhe — CEO da Lexus Groupe e representante da Pantone
• Deborah Roig — arquiteta
Durante a conversa, Blanca apresentou o processo de escolha da Cor do Ano 2026 da Pantone, revelando o tom:
Cloud Dancer — PANTONE 11-4201

A escolha surpreendeu parte da indústria: pela primeira vez em décadas, um branco suave ocupa o centro do debate cromático.

Segundo o Pantone Color Institute, Cloud Dancer representa um branco etéreo e sereno, pensado como um símbolo de calma e reflexão em um mundo acelerado.
Mais do que uma cor, ele funciona como uma tela em branco, refletindo o desejo coletivo por novos começos e por ambientes menos saturados visualmente.

Durante a palestra, Blanca trouxe uma analogia interessante.
Ela lembrou que, após a pandemia, uma das tendências cromáticas dominantes foi o azul, frequentemente interpretado como um gesto simbólico — um “pedido aos céus” por esperança e estabilidade.
Agora, em 2026, o movimento parece evoluir.
Se o azul representava esperança, o branco representa recomeço.
O Cloud Dancer aparece como um convite para:
• desacelerar
• reorganizar pensamentos
• reconstruir narrativas visuais mais simples.
A Pantone descreve o tom como uma resposta ao excesso de estímulos digitais e à necessidade de ambientes que favoreçam o foco e bem-estar.
O reflexo dessa tendência na Expo Revestir
Caminhando pela feira, ficou claro que a mensagem da Pantone não estava isolada.
Ela apareceu materializada em materiais, texturas e superfícies.
Os estandes revelaram um movimento forte de:
1️⃣ Tons off-white e neutros sofisticados



Inclusive algumas empresas já exploravam nuances alinhadas ao Cloud Dancer em seus estandes na feira.





2️⃣ Textura profunda
Uma das tendências mais fortes foi a valorização da materialidade tátil.

Superfícies com:
relevo profundo;
texturas minerais;
acabamento artesanal.


Essa tendência desloca o foco da cor para a experiência sensorial do material.

Com uma coleção inspirada em ingredientes, a Arauco transforma painéis de madeira em uma experiência sensorial completa.
3️⃣ Grandes formatos
As chamadas lastras gigantes continuam crescendo.



Revestimentos que chegam a mais de 3 metros permitem:
fachadas monolíticas;
painéis contínuos ;
interiores minimalista
4️⃣ Sustentabilidade real

Outro ponto recorrente foi a presença de materiais reciclados e processos de produção mais conscientes.
A sustentabilidade aparece cada vez menos como discurso e mais como parte da linguagem estética do projeto.

Eucatex mostra como um processo sustentável transforma madeira renovável em inovação, unindo tecnologia, performance e estética.
A sustentabilidade aparece cada vez menos como discurso e mais como parte da linguagem estética do projeto.
O que conecta a Revestir e a DW Semana de Design
Se há uma mensagem clara desta edição, é que estamos entrando em um momento de design mais silencioso e consciente.
Menos excesso. Mais intenção.
O branco Cloud Dancer traduz exatamente esse espírito: um espaço de pausa para que novos projetos, ideias e narrativas possam emergir.
Na arquitetura e no design de interiores, o branco nunca foi ausência de cor.
Ele é estrutura para a luz, para as sombras e para a materialidade do espaço.
Talvez por isso ele seja, agora, a cor do nosso tempo.




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