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Home Economy - A casa como protagonista do novo ciclo de consumo

  • Foto do escritor: Anelise Campoi
    Anelise Campoi
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura
Setor casa na Hermés Rue de Sèvres em Paris
Setor casa na Hermés Rue de Sèvres em Paris

Durante minhas andanças por Paris, Amsterdã, Antuérpia e Düsseldorf na semana de Carnaval, algo ficou evidente: o setor Casa não é mais complementar — ele é protagonista.

Em diferentes marcas e cidades, a casa aparece como território estratégico.


Na Hermès, em Paris, o universo Maison ocupa andares inteiros com tecidos, porcelanas e objetos que traduzem o savoir-faire da marca para o cotidiano doméstico.


Na Zara Home em Amsterdã e Antuérpia, o espaço ganha atmosfera quase residencial, com ambientações completas.


Na H&M em Antuérpia, a seção Home já não parece um anexo — é parte estruturante da jornada.


Na Breuninger em Düsseldorf, uma das maiores lojas de departamento da cidade, o setor Home ganha um espaço especial e estratégico dentro da operação.


Ali, o universo Casa, a Westwing, tratado com protagonismo: curadoria qualificada, ambientações completas e integração entre decoração, mesa posta, têxteis e fragrâncias. Não se trata apenas de ampliar mix — trata-se de consolidar a casa como território de lifestyle dentro do department store.


Um ponto interessante é que a marca Westwing — que também opera no Brasil — tem origem alemã e mantém forte presença nesse ecossistema de Home. No Brasil, existe uma operação independente, mas a matriz conceitual e estratégica vem justamente desse mercado europeu onde o setor Casa já ocupa posição central.


Isso não é coincidência. É um movimento estrutural.


Setor home na H&M Antuérpia
Setor home na H&M Antuérpia


Zara Home em Antuérpia
Zara Home em Antuérpia
Breuninger em Düsseldorf (Alemanha)
Breuninger em Düsseldorf (Alemanha)

A virada começou há cinco anos

A pandemia, há cinco anos, alterou profundamente nossa relação com o espaço doméstico.


A casa deixou de ser apenas lugar de passagem — tornou-se:


  • Escritório;

  • Escola;

  • Academia;

  • Restaurante;

  • Espaço de convivência;

  • Refúgio emocional.


Passamos a habitar a casa com outra consciência.


E quando a permanência aumenta, o investimento emocional e financeiro também aumenta.


Westwing, o setor casa da Breuninger em Düsseldorf (Alemanha)
Westwing, o setor casa da Breuninger em Düsseldorf (Alemanha)

A casa como extensão da identidade


Hoje, consumir para casa não é apenas adquirir utilidades. É construir narrativa pessoal.

Tecidos, aromas, louças, iluminação, organização — tudo comunica estilo de vida.

Percebi nas lojas europeias uma estética mais sensorial: 


  • Materiais naturais;

  • Tons neutros e orgânicos;

  • Texturas acolhedoras;

  • Iluminação quente;

  • Experiência quase museográfica.


O visual merchandising de Home não vende produto isolado. Vende cenário.


A Rituals em Antuérpia entrega uma experiência sensorial única, com destaque para a nova área de produtos de lavanderia, repleta de aromas inovadores — cada fragrância transforma tarefas do dia a dia em pequenos rituais de cuidado e bem-estar.


A Rituals em Antuérpia entrega uma experiência sensorial única, com destaque para a nova área de produtos de lavanderia, repleta de aromas inovadores
A Rituals em Antuérpia entrega uma experiência sensorial única, com destaque para a nova área de produtos de lavanderia, repleta de aromas inovadores

Do consumo funcional ao consumo de bem-estar


Há um deslocamento importante:

Antes: Casa = necessidade.

Agora: Casa = bem-estar.


O lar passa a ser visto como oásis de recarga emocional.


Em um mundo acelerado, hiperconectado e urbano, o espaço doméstico assume papel terapêutico.


Isso explica a expansão de categorias como: 

  • Fragrâncias para ambientes;

  • Roupas de cama premium;

  • Objetos artesanais;

  • Itens de organização estética;

  • Produtos para lavanderia com assinatura olfativa.


O cotidiano está sendo ritualizado.


O varejo entendeu


As marcas estão ampliando seus territórios para além da moda.


A Hermès traduz seu luxo para objetos domésticos. A Zara cria universos completos de ambientação. A H&M democratiza tendências de decoração.


A Breuninger posiciona o Home com a mesma relevância simbólica da moda, reforçando seu papel estratégico dentro do department store contemporâneo.


A Home Economy não é uma tendência passageira. É consequência de uma transformação cultural.



Setor home na H&M Antuérpia
Setor home na H&M Antuérpia

O varejo entendeu


As marcas estão ampliando seus territórios para além da moda.


Hermès na Rue de Sèvres, em Paris
Hermès na Rue de Sèvres, em Paris

Hermès traduz seu luxo para objetos domésticos.


Zara cria universos completos de ambientação.


H&M democratiza tendências de decoração.


Na  Breuninger através da Westwing, o setor Casa assume protagonismo estratégico como território de lifestyle dentro do departamento de store.


A Home Economy não é uma tendência passageira.


É consequência de uma transformação cultural.


Zara Home em Antuérpia cria universos completos de ambientação
Zara Home em Antuérpia cria universos completos de ambientação

Westwing na Breuninger posiciona o home com a mesma relevância simbólica da moda
Westwing na Breuninger posiciona o home com a mesma relevância simbólica da moda


Reflexão final


Se antes investíamos para “mostrar ao mundo”, hoje investimos também para nos acolher.


A casa tornou-se nosso principal espaço de permanência, identidade e regeneração.


E talvez essa seja uma das maiores mudanças comportamentais da última década:


O luxo não está apenas na exposição social.


Está na qualidade do tempo que vivemos dentro de casa.


A Home Economy é, no fundo, a economia do cuidado.

 
 
 

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