Sesc Casa Verde: um estudo de design estratégico
- Anelise Campoi

- há 11 horas
- 4 min de leitura
Quando o projeto começa antes do desenho
A Acampoi Arquitetura foi convidada a conduzir um estudo estratégico para a preparar o programa de necessidade para um prédio administrativo do Sesc Casa Verde. Um trabalho cujo objetivo principal não era chegar imediatamente a uma solução formal, mas compreender profundamente o funcionamento da instituição para, a partir disso, orientar decisões de projeto.
Esse tipo de abordagem parte de um princípio claro: em ambientes institucionais complexos, a arquitetura precisa ser consequência de método, dados e estratégia. Por isso, o processo foi estruturado em três etapas complementares, que permitiram observar, analisar, testar hipóteses e construir diretrizes sólidas para o desenvolvimento do projeto.

O Estudo foi iniciado com uma análise da Administração Regional do Sesc Belenzinho para entender as necessidades do espaço.
Etapa 1.1 – Análise de Situação Atual: o estudo como ponto de partida
A Etapa 1.1 marcou o início do trabalho e teve caráter essencialmente investigativo. O foco foi entender como os espaços do Sesc Belenzinho operam hoje — não apenas do ponto de vista técnico, mas principalmente a partir do uso real feito por colaboradores, gestores e visitantes.
Para isso, a Acampoi realizou um conjunto de procedimentos que estruturam o estudo:
Levantamento e validação dos layouts existentes, comparando documentação técnica e realidade construída;
Avaliação quantitativa, com leitura das áreas, setorização funcional e organização por pilares institucionais;
Avaliação qualitativa, baseada em questionários aplicados aos colaboradores;
Observação de uso, analisando fluxos, circulação, densidade ocupacional e comportamentos ao longo do dia;
Síntese analítica, consolidando dados técnicos e percepções humanas.
O resultado dessa etapa foi um diagnóstico claro, que evidenciou pontos fortes, fragilidades e oportunidades de melhoria. Mais do que apontar problemas, o estudo permitiu entender as causas espaciais que impactavam a rotina institucional.

Sesc Casa Verde
Etapa 2.1 – Análise da Situação Futura: estratégia aplicada ao espaço
foto sesc casa verde
Com a leitura do presente consolidada, o estudo avançou para a Etapa 2.1, dedicada a construir uma visão de futuro. Aqui, o papel da arquitetura se amplia: deixa de ser apenas resposta e passa a atuar como ferramenta estratégica de planejamento.
Nessa fase, o objetivo foi estruturar o Programa de Necessidades, conectando espaço, gestão e operação. Para isso, foram adotadas estratégias como:
Análise do organograma e da estrutura organizacional do SESC;
Workshops e escuta ativa com gerências e superintendências;
Estudos de proximidade, densidade e tipologias espaciais;
Identificação de demandas latentes e expectativas futuras.

Durante essa etapa, foram feitos questionários com gerências e equipe s sobre os espaços de trabalho
Esse processo revelou a necessidade de ambientes mais flexíveis, capazes de equilibrar concentração, colaboração, privacidade e convivência. A partir dos dados coletados, o estudo traduziu percepções em diretrizes espaciais objetivas, reduzindo riscos e aumentando a assertividade das decisões de projeto.


Instrumento central no estudo, a Matriz de Proximidade traduz relações funcionais em decisões espaciais.
Matriz de proximidade: relações que orientam o espaço
Um dos instrumentos centrais utilizados no estudo foi a matriz de proximidade, ferramenta estratégica que permitiu mapear e hierarquizar as relações funcionais entre os diferentes setores e atividades do edifício administrativo.
A partir da leitura do organograma institucional, das entrevistas com gestores e da análise dos fluxos operacionais, a matriz traduziu necessidades abstratas em relações espaciais objetivas, indicando quais ambientes demandam maior grau de proximidade, quais podem operar de forma independente e quais requerem separação por questões de concentração, sigilo ou ruído.
Esse recurso foi fundamental para embasar decisões de setorização, circulação e adjacências, reduzindo conflitos de uso e garantindo maior eficiência operacional. Mais do que um diagrama técnico, a matriz de proximidade funcionou como elo entre gestão, operação e arquitetura, assegurando que o futuro arranjo espacial refletisse a dinâmica real de trabalho do Sesc Casa Verde.
Etapa 2.2 – Consolidação do conceito: design estratégico em prática

Nessa etapa, o Conceito de Ocupação em Cinco Pilares organizou usos, fluxos e modos de trabalho.
Na Etapa 2.2, o estudo evoluiu para a consolidação do conceito de ocupação em 5 pilares, aplicando o design estratégico como ferramenta de organização do espaço. As diretrizes levantadas anteriormente foram transformadas em uma lógica clara de distribuição e relacionamento entre ambientes.
O edifício passou a ser compreendido a partir de grandes categorias funcionais, como:
Receber – espaços institucionais de acolhimento e orientação;
Processos – áreas administrativas e operacionais;
Interação – salas de reunião, meeting boxes e espaços colaborativos;
Aprender & Fazer – ambientes de troca, criação e desenvolvimento;
Apoio – copas, áreas técnicas e suporte à rotina.
Esse modelo permitiu testar cenários, avaliar impactos e criar uma base consistente para o desenvolvimento do projeto arquitetônico, sempre alinhado à cultura, à escala e à complexidade institucional do SESC.
Nesta etapa também teve o desenvolvimento de um Manual de Padronização que organiza diretrizes, critérios de uso e parâmetros de ocupação dos espaços. Esse material funciona como ferramenta estratégica de gestão do projeto, garantindo coerência em futuras intervenções, redução de retrabalhos e alinhamento contínuo entre arquitetura, operação e identidade institucional.
Um processo que gera aprendizado e estratégia
O estudo desenvolvido para o Sesc Casa Verde reforça a importância de encarar a arquitetura como processo, e não apenas como entrega final. Ao aplicar conceitos de design estratégico, a Acampoi Arquitetura contribuiu para decisões mais conscientes, sustentáveis e alinhadas ao uso real dos espaços.
Mais do que um projeto, esse trabalho representa um modelo de atuação que gera aprendizado contínuo — para a instituição e para os profissionais envolvidos — e cria repertório para novos desafios arquitetônicos.




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